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TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE RORAIMA

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PROCESSO

:

0001083-30.2021.6.23.8000

INTERESSADO

:

SEÇÃO DE GOVERNANÇA E PLANEJAMENTO

ASSUNTO

:

CAPACITAÇÃO DE SERVIDORES - Gestão de Resultados com OKR

Parecer nº 438 / 2021 - TRE-RR/PRES/DG/AssJurDG

Senhor Diretor-Geral.

Busca-se no feito viabilizar a eventual capacitação de 01 servidor desta Corte Eleitoral (Hélio Brilhante), mediante participação  no evento denominado "Gestão de Metas e Resultados com OKR" a ser promovido pela Instituição INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA PUBLICA - IBGP, inscrita no CNPJ 18.735.319/0001-20,  na modalidade on-line, no período de 28 a 30.09 do corrente ano, realizado na Plataforma IBGP, conforme prospecto juntado sob o evento 0629879.

Os motivos para a capacitação encontram-se externados no  Despacho 7713 (0622871), os quais reputo suficientes para justificar a demanda.

Consta dos autos a INFORMAÇÃO Nº 2414 - TRE-RR/PRES/DG/SA/CGP/SC (0624228), por meio do qual se noticiou inicialmente que "a capacitação em "Gestão de Resultados com OKR", não se encontra contemplado no Plano Anual de Capacitação 2021 (0594406), entretanto, por se tratar de demanda específica, pode vir a ser incluso por força do que dispõe o artigo 8º da Resolução  TSE n 22.572 de 16/08/2007".

Posteriormente, por meio do Despacho nº 8168 / 2021 - TRE-RR/PRES/DG/AssJurDG  (evento 0624619) determinou-se a inclusão da referida capacitação no PAC, o que foi formalizado por meio da PORTARIA Nº 209/2021 (evento 0625449).

Quanto ao custo com a inscrição do servidor, R$ 1.440,00 (um mil quatrocentos e quarenta reais), verifico que  nos autos reserva orçamentária suficiente para suportar a despesa (0632165).

Foi demonstrado que a empresa promotora do evento atende às exigências mínimas de habilitação aplicáveis à despesa (evento 0632524).

A Secretaria de Administração, acolhendo o parecer de sua Assessoria de Licitações (evento 0632526), reconheceu a inexigibilidade do procedimento licitatório para a contratação em tela nos moldes do artigo 25, II, c/c 13, VI, ambos da Lei n.º 8.666/1993 (evento 0632528).

Veio a esta Diretoria para deliberação.

São os fatos.

Opina-se.

A capacitação de servidores da Administração Pública Federal está prevista no Decreto n.º 9.991/2019, cujo objetivo é promover o desenvolvimento dos servidores públicos nas competências necessárias à consecução da excelência na atuação dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional (art. 1.º).

Reconhecida a modalidade licitatória aplicável à despesa, cabe a esta Diretoria decidir acerca da ratificação do respectivo ato.

A esse respeito, observa-se que o art. 25 da LLCA determina seja considerada inexigível a licitação nas hipóteses em que se verificar inviabilidade de competição. Em especial, algumas situações são indicadas.

O inciso II faz referência aos serviços técnicos enumerados no art. 13 daquela Lei, desde que de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória especialização. Dentre aqueles se insere, no inciso VI desse último artigo, treinamento e aperfeiçoamento de pessoal, sobre o qual versa o feito.

Julgando o tema, o Tribunal de Contas da União, há muito, decidiu “considerar que as contratações de professores, conferencistas ou instrutores para ministrar cursos de treinamento ou aperfeiçoamento de pessoal, bem como a inscrição de servidores para participação de cursos abertos a terceiros, enquadram-se na hipótese de inexigibilidade de licitação prevista no inciso II do art. 25, combinado com o inciso VI do art. 13 da Lei n.º 8.666/93” (cf. Decisão n.º 439/98).

Tem-se, pois, uma exceção à regra prevista na Constituição Federal (art. 37, XXI) e na Lei n.º 8.666/93 (art. 2.º), segundo a qual é obrigatório à Administração Pública realizar licitação sempre pretender contratar obras, serviços, realizar compras e alienações, afigurando-se excepcional a contratação direta, que somente pode ser efetuada nas hipóteses estritamente previstas em Lei.

Cumpre frisar que, para contratação direta via inexigibilidade de licitação, é necessário o preenchimento de alguns requisitos básicos, previstos no art. 25, II, da lei n.º 8.666/93, vejamos:

"Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:
(...);
II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação;

 

Nesse sentido, dispõe a Súmula n.º 252 do Tribunal de Contas da União:

"A inviabilidade de competição para a contratação de serviços técnicos, a que alude o inciso II do art. 25 da Lei nº 8.666/1993, decorre da presença simultânea de três requisitos: serviço técnico especializado, entre os mencionados no art. 13 da referida lei, natureza singular do serviço e notória especialização do contratado".

 

Sem olvidar, ainda, o entendimento firmado na Súmula n.º 264 daquela Corte de Contas, de que:

"A inexigibilidade de licitação para a contratação de serviços técnicos com pessoas físicas ou jurídicas de notória especialização somente é cabível quando se tratar de serviço de natureza singular, capaz de exigir, na seleção do executor de confiança, grau de subjetividade insuscetível de ser medido pelos critérios objetivos de qualificação inerentes ao processo de licitação, nos termos do art. 25, inciso II, da Lei n° 8.666/93".

 

Depreende-se da norma e das orientações jurisprudenciais acima ventiladas que, para a caracterização de inexigibilidade de licitação para contratação de serviço técnico previsto no rol do art. 13 da LLCA, serão necessários três requisitos: a) singularidade do objeto; b) notória especialização do contratado e; c) inviabilidade fática e jurídica de competição.

Em relação ao primeiro requisito, tem-se como satisfeito, dado que a complexidade e especificidade do tema que será abordado no pretendido treinamento exige acentuado nível de conhecimento profissional qualificado, possibilitando à Administração a escolha da contratação de acordo com o grau de confiança que entender necessário.

Quanto à notória especialização, o § 1º, do mencionado art. 25, da LLCA, define que: "... Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica, ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato".

Assim, tem-se por atendido o segundo requisito, pois a empresa proponente consta com experiência no seguimento de capacitação. Neste sentido, colho de informações constantes do seu web site (https://ibgp.net.br/sobre):

 

"O Instituto Brasileiro de Governança Pública - IBGP é um Centro de Treinamento focado na capacitação de Gestores, Auditores e Técnicos do setor público brasileiro, com a missão de "Contribuir com o aprimoramento da Governança no Setor Público Brasileiro por meio do desenvolvimento e qualificação de gestores, auditores e técnicos".

O diferencial do IBGP está na qualidade e atualidade dos programas dos cursos, bem como, na ampla experiência de seus instrutores - notáveis profissionais de diversas organizações, com mestrado ou doutorado, além de certificações nacionais e internacionais.".

 

Quanto ao último requisito, insta salientar que a singularidade do evento e a notória especialização da entidade promotora justificam a escolha da contratação, pois o conteúdo do evento é único no mercado em geral, embora hajam outros assemelhados. Tal constatação autoriza a aplicação da hipótese de inexigibilidade prevista no inc. II do art. 25 da Lei nº 8.666/93.

Por tais razões, torna-se perfeitamente aplicável ao caso a hipótese de inexigibilidade de licitação acima, assistindo razão à Secretaria de Administração quanto à modalidade licitatória proposta para a presente despesa.

Quanto à habilitação, percebe-se que os documentos constantes do evento 0632524 comprovam a regularidade da proponente com as exigências mínimas de habilitação aplicáveis ao caso.

Acresça-se, ainda, que a respectiva rubrica orçamentária possui recursos financeiros bastantes para responder pela despesa de que trata o feito (evento 0632165).

Destaca-se que não foi apresentada minuta de contrato ou carta-contrato ou similar. Contudo, isso não é impedimento para reconhecimento da inexigibilidade, a teor do art. 62 da LLCA, in verbis:

Art. 62. O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência e de tomada de preços, bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites destas duas modalidades de licitação, e facultativo nos demais em que a Administração puder substituí-lo por outros instrumentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço.

§ 1o A minuta do futuro contrato integrará sempre o edital ou ato convocatório da licitação.

§ 2o Em "carta contrato", "nota de empenho de despesa", "autorização de compra", "ordem de execução de serviço" ou outros instrumentos hábeis aplica-se, no que couber, o disposto no art. 55 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)

§ 3o Aplica-se o disposto nos arts. 55 e 58 a 61 desta Lei e demais normas gerais, no que couber:

I - aos contratos de seguro, de financiamento, de locação em que o Poder Público seja locatário, e aos demais cujo conteúdo seja regido, predominantemente, por norma de direito privado;

II - aos contratos em que a Administração for parte como usuária de serviço público.

§ 4o É dispensável o "termo de contrato" e facultada a substituição prevista neste artigo, a critério da Administração e independentemente de seu valor, nos casos de compra com entrega imediata e integral dos bens adquiridos, dos quais não resultem obrigações futuras, inclusive assistência técnica.

Com efeito, a carta-contrato é um instrumento de conteúdo mais simplificado que o termo de contrato. Porém, possui os mesmos efeitos jurídicos deste.

Oportuno destacar que a capacitação pretendida será realizada na modalidade EAD, não exigindo qualquer deslocamento do beneficiário, circunstância que preservará a saúde do servidor e representará significativa redução de custos para o aprimoramento profissional almejado, dado que não implicará despesas extras com passagens e diárias.

Desse modo, vê-se que o caso vertente escapa à vedação imposta pelas Portarias n.ºs 81 (evento 0527274) e 162/2020 (evento 0547057), que suspenderam a participação de servidores desta Corte em cursos ou eventos que demandem deslocamento aéreo, enquanto perdurar a situação de emergência vivenciada em razão da COVID-19, salvo nos casos excepcionais, os quais serão apreciados pelo Presidente. 

Pelo exposto, reservada a prévia avaliação de conveniência e oportunidade por parte de Vossa Senhoria, opina-se que seja a presente contratação levada a efeito mediante inexigibilidade de procedimento licitatório, nos termos do art. 25, II, c/c art. 13, VI, ambos da LLCA, ratificando-se o reconhecimento emitido pela Secretaria de Administração no evento 0632528.

É o parecer, sub censura.

Boa Vista/RR, 02 de agosto de 2021.

 

Eldon Pedro Caye Filho

Assessor Jurídico da Diretoria-Geral do TRE/RR

(documento assinado eletronicamente)

 


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Documento assinado eletronicamente por ELDON PEDRO CAYE FILHO, Assessor, em 02/08/2021, às 15:15, conforme art. 1º, III, "b", da Lei 11.419/2006.


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